Câmara Municipal de Vitória da ConquistaSessão OrdináriaTribuna LivreNotícia
12/06/2026 10:00:00
A presidente do Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (SIMMP), Simone Marques Fagundes, ocupou a Tribuna Livre da Câmara Municipal nesta sexta-feira (12) para apresentar críticas à política de valorização dos profissionais da educação e cobrar o atendimento de reivindicações históricas da categoria.
Durante o pronunciamento, Simone afirmou que o Projeto de Lei Complementar nº 24/2026, que trata do reajuste salarial dos professores, contempla apenas parte das demandas apresentadas pelo sindicato e não representa uma conquista concedida pela administração municipal. “O que está sendo votado nesta Casa hoje é apenas um dos pontos que solicitamos. Não se enganem e não se deixem enganar. Esse ajuste de 5,4% nada mais é do que o cumprimento obrigatório de um índice federal destinado ao pagamento do Piso Nacional do Magistério. Cumprir a lei federal é apenas uma obrigação, não é bondade.”
A dirigente sindical também criticou a condução das negociações entre a categoria e o governo municipal, alegando falta de diálogo efetivo durante o processo. “Eles tentam vender uma imagem de diálogo democrático, mas a realidade é que fomos empurrados para uma mesa de negociação fria, onde ocorreu apenas uma única reunião com todas as secretarias, a Semgi, a Procuradoria e a Secretaria de Educação.”
Simone direcionou críticas à prefeita Sheila Lemos, afirmando que a gestora não participou diretamente das discussões com o sindicato. “A prefeita Sheila Lemos nunca esteve presente em nenhuma reunião com o SIMMP. Ela se esconde atrás de técnicos e secretários para não encarar de frente os professores que carregam a educação deste município nas costas.”
Segundo a presidente do sindicato, a ausência da chefe do Executivo demonstra a forma como a categoria tem sido tratada. “Essa ausência mostra o verdadeiro tamanho da valorização que ela diz ter pela nossa categoria.”
Outro ponto destacado foi o reajuste do auxílio-alimentação previsto no projeto encaminhado à Câmara. Para Simone, o percentual concedido é insuficiente para atender às necessidades dos trabalhadores. “Olhem para o tamanho do absurdo que está neste projeto. Um minúsculo e vergonhoso reajuste de 4,26% no auxílio-alimentação.”
Ela argumentou que o benefício não acompanha o custo de vida dos servidores. “O trabalhador que passa o dia na escola recebe um valor que não paga uma refeição digna por dia.”
Em um dos momentos mais contundentes do discurso, a dirigente comparou o auxílio-alimentação dos professores ao benefício recebido pelos vereadores. “Nós, professores, gostaríamos de ter o mesmo valor do auxílio-alimentação dos senhores vereadores, que é de R$ 1.800. Por que o estômago de quem legisla vale mais do que o de quem educa os filhos desta cidade?”
A presidente do SIMMP afirmou ainda que o projeto aprovado não resolve questões consideradas essenciais pela categoria. “O projeto de 2026 passa longe de resolver a nossa pauta.”
Entre as reivindicações pendentes, ela citou o descongelamento do interstício entre níveis da carreira docente, a retomada do percentual de 13,25% no plano de carreira, o pagamento correto do terço de férias referente aos 45 dias previstos no Estatuto do Magistério e a regularização da regência de classe especial. “Isso sim seria valorização real.”
Simone também defendeu alterações no plano de carreira que incentivem a permanência de professores com maior qualificação acadêmica na rede municipal. “Precisamos de mudanças que ampliem o tempo de trabalho na carreira para tirar muitos de nós da atual estagnação profissional.”
Outro tema abordado foi a situação dos professores aposentados, que, segundo ela, têm sido ignorados pela atual gestão. “Sem mencionar a situação dos professores aposentados, que estão sendo negligenciados por este governo.”
Ao se dirigir aos vereadores, a sindicalista pediu apoio às pautas da categoria e lembrou que muitos parlamentares tiveram sua formação escolar com professores da rede municipal. “Sei que muitos dos senhores e senhoras, inclusive, foram alunos dessas colegas que estão sendo deixadas de lado por esse governo.”
A presidente do sindicato também criticou a postura de vereadores governistas durante manifestações anteriores da categoria. “Quando a diretoria do SIMMP e a categoria ocuparam este espaço para cobrar o que é nosso por direito, fomos recebidos com deboche e escarnecidos nesta Casa por alguns vereadores da base governista.”
Em tom firme, Simone reforçou o papel constitucional do Legislativo e cobrou independência dos parlamentares. “Os senhores foram eleitos para legislar para a melhoria da vida do povo conquistense e não para atuar como despachantes de luxo da prefeita em benefício das políticas de austeridade antipopular.”
Ao final, manifestou solidariedade aos demais servidores presentes, incluindo agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, e garantiu que o sindicato continuará mobilizado em defesa dos direitos dos profissionais da educação. “Aprovem o projeto, porque o piso é lei, mas saibam que o SIMMP não vai recuar nem um milímetro.”
Ela informou ainda que a entidade já ingressou na Justiça com uma ação para cobrar perdas salariais acumuladas. “Já entramos na Justiça com uma ação para exigir o pagamento retroativo dos últimos cinco anos das perdas salariais e continuaremos firmes cobrando cada ponto esquecido e cada direito ferido do Estatuto do Magistério.”
Encerrando sua participação, Simone deixou uma mensagem direta aos gestores públicos e aos parlamentares. “Respeitem os professores.”
Por Camila Brito