Durante a cerimônia de abertura oficial dos trabalhos legislativos de 2026, realizada nesta quarta-feira (4), líderes das bancadas de situação, oposição e do governo municipal apresentaram suas expectativas para o novo ano na Câmara Municipal de Vitória da Conquista. As declarações revelam um cenário marcado pela defesa do diálogo institucional, pela cobrança de resultados concretos e por debates que prometem tensionar a relação entre Legislativo e Executivo.

Líder da bancada de situação, o vereador Edjaime Rosa Bibia afirmou que 2026 será o ano de “colher” o que foi construído ao longo de 2025. Segundo ele, a prioridade é manter a harmonia entre os vereadores e o Executivo para garantir que as promessas feitas à população se transformem em ações efetivas.
“O que a gente quer é que as coisas de Vitória da Conquista aconteçam de verdade, não fiquem só nas promessas”, destacou. Bibia também ressaltou a importância da transparência e da fidelidade ao eleitor, reforçando que seu mandato busca alinhar discurso e prática, seja ao cobrar ações do governo, seja ao apresentar demandas da população.
Oposição mantém tom crítico e elenca pautas sensíveis - Já a líder da bancada de oposição, vereadora Viviane, reconheceu que 2025 foi um ano de muitas lutas e reforçou que, apesar das dificuldades, as expectativas para 2026 seguem positivas. Para ela, o papel da oposição é representar a população e dar voz às demandas históricas do município, com atenção especial às mulheres, lembrando que a atual legislatura conta com uma bancada feminina considerada histórica.
Entre os principais problemas apontados, Viviane citou queixas recorrentes nas áreas de saúde, transporte público, abastecimento de água na zona rural e infraestrutura viária. A vereadora também chamou atenção para os impactos das chuvas, que, “embora sejam uma bênção”, acabam expondo falhas na drenagem urbana.
No campo dos debates mais polêmicos, a líder oposicionista destacou o aumento do IPTU e a taxa pós-uso da Zona Azul, ambas instituídas por decreto do Executivo. Segundo ela, embora a Câmara não participe diretamente dessas decisões, o Legislativo tem o dever de promover o debate e fazer a mediação com a prefeitura. “Uma cobrança de R$ 60 é abusiva e afugenta a população do centro, do comércio e até dos serviços de saúde”, criticou.
Viviane também apontou como prioridade o cumprimento das emendas impositivas, defendendo um diálogo mais efetivo com o Executivo para garantir que obras e serviços indicados pelos vereadores sejam executados. “Quando há diálogo, todos ganham: o Legislativo, o Executivo e, principalmente, a população”, afirmou.
Governo destaca projetos e convoca participação popular - Líder do governo na Câmara, o vereador Edivaldo Ferreira Júnior avaliou que as expectativas para 2026 são “as melhores possíveis”. Ele lembrou que, apesar do recesso das sessões ordinárias, o trabalho parlamentar não foi interrompido e que o retorno marca um período intenso de discussões de projetos de lei.
Edivaldo reforçou o papel da Câmara como “caixa de ressonância da sociedade conquistense” e convidou a população a participar ativamente das sessões. Segundo ele, diversos projetos enviados pelo Executivo em 2025 aguardam apreciação, além das propostas de autoria dos próprios vereadores.
Entre as iniciativas destacadas, o líder do governo mencionou um projeto de sua autoria que propõe a redução da tarifa de esgoto de 80% para 40%, além de estabelecer prazo máximo para que a concessionária realize reparos na pavimentação asfáltica após intervenções, sob pena de multa. Para Edivaldo, a proposta tem caráter social e impacto direto na mobilidade urbana.
O vereador também adiantou que temas como a revisão do regimento interno da Casa estarão na pauta ao longo do ano, sinalizando um período de intenso trabalho legislativo.