Na sessão desta quarta-feira (06), a vereadora Gabriela Garrido (PV) utilizou a tribuna da Câmara para fazer um alerta sobre o início do Maio Laranja, mês de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Com base em dados do Anuário Público de 2024 e do Ministério Público, a parlamentar traçou um diagnóstico sombrio da realidade nacional e local.
Gabriela destacou o crescimento de 68% nas denúncias em relação ao ano de 2020, totalizando 180 mil registros. A parlamentar enfatizou a frequência assustadora dos crimes. "Isso significa que temos uma criança ou adolescente abusado sexualmente a cada 3 minutos. São cerca de 500 denúncias por dia só no Disque 100", pontuou.
A vereadora destacou que a maioria dos abusos ocorre no ambiente doméstico. Segundo os dados apresentados, 76% dos agressores são conhecidos das vítimas, sendo que 40% dos casos são praticados por pais e padrastos. "Apenas de 7% a 10% chegam às estatísticas reais, porque esses abusos na realidade acontecem dentro das residências. A residência da vítima é o local mais perigoso desses casos", alertou Gabriela.
A vereadora trouxe o debate para a realidade de Vitória da Conquista, revelando que, em 2023, o Conselho Tutelar Municipal registrou 187 denúncias de violência sexual infantil. "A média é de um caso a cada dois dias, então é um problema que atinge frontalmente a nossa cidade", afirmou.
Ela também demonstrou preocupação com a proximidade do período junino, explicando que grandes eventos aumentam a vulnerabilidade: "Nos grandes eventos, agora na proximidade do São João, os casos sobem 30%. Em períodos de carnaval, festas e grandes obras, onde se recebe pessoas de diversos lugares nas cidades".
Para combater o que chamou de "cultura equivocada", a vereadora destacou a importância de projetos educativos e preventivos que estão em pauta na Casa, como o Projeto Basta, voltado à violência contra a mulher, e a Semana Municipal de Adoção e Proteção ao Bem-Estar Animal. "Toda violência contra a criança, contra a mulher, contra o animal, é fruto de uma cultura equivocada, reforçada. Então nós temos o projeto que visa prevenir a violência", defendeu.
Por Camila Brito